"Serve
esta crónica para retratar e comentar um certo elemento que existe
frequentemente em grupos masculinos e que responde pelo nome genérico de
‘Gordinha’. A Gordinha é aquela amigalhaça companheirona que desde o
liceu cultivava o estilo maria-rapaz, era espertalhona e bem-disposta,
cheia de energia e de ideias, sempre pronta para dizer asneiras e
alinhar com a malta em programas. Ora acontece que a Gordinha é
geralmente gorda e sem formas, tornando-se aos olhos masculinos pouco
apetecível, a não ser em noites longas regadas a mais de sete vodkas,
nas quais o desespero comanda o sistema hormonal, transformando qualquer
bisonte numa mulher sexy, mesmo que seja uma peixeira com bigode do Mercado da Ribeira.
A
Gordinha é porreira, é fixe, é divertida, quer sempre ir a todo o lado e
está sempre bem-disposta, portanto a Gordinha torna-se uma espécie de
mascote do grupo que todos protegem, porque, no fundo, todos têm um
bocado de pena dela e alguns até uma grande dose de remorsos por já se
terem metido com a mesma nas supracitadas funestas circunstâncias. E é
assim que a Gordinha acaba por se tornar muito popular, até porque, como
quase nunca consegue arranjar namorado, está sempre muito disponível
para os mais variados programas, nem que seja ir comer um bife à
Portugália e depois ao cinema.
À
partida, não tenho nada contra as Gordinhas, mas irrita-me que gozem de
um estatuto especial entre os homens. Às Gordinhas tudo é permitido:
podem dizer palavrões, falar de sexo à mesa, apanhar grandes bebedeiras e
consumir outras substâncias igualmente propícias a estados de euforia,
podem inclusive fazer chichi de pernas abertas num beco do Bairro Alto
porque como são ‘do grupo’ toda a gente acha muita graça e ninguém
condena.
Agora
vamos lá ver o que acontece se uma miúda gira faz alguma dessas coisas
sem que surja logo um inquisidor de serviço a apontar o dedo para lhe
chamar leviana, ordinária, desavergonhada e até mesmo porca. Uma miúda
gira não tem direito a esse tipo de comportamentos porque não é one of the guys:
é uma mulher e, consequentemente, deve comportar-se como tal. E o que
mais me irrita é quando as Gordinhas apontam também elas o dedo às
giras, quando estas se comportam de forma semelhante a elas.
Ser
gira dá trabalho e requer alguma diplomacia. Que o digam as minhas
amigas mais bonitas e boazonas que foram vendo a sua reputação ser
sistematicamente denegrida por dois tipos de pessoas: os tipos que nunca
as conseguiram levar para a cama e as gordas que teriam gostado de ter
sido levadas para a cama por esses ou por outros. Uma mulher gira não
pode falar alto nem dizer palavrões que lhe caem logo em cima. Já uma
Gordinha pode dizer e fazer tudo o que lhe passar pela cabeça, porque
conquistou um inexplicável estatuto de impunidade.
Porquê?
Porque não é vista como uma mulher? Porque todos têm pena dela? E, já
agora, porque é que quando uma mulher está/é gorda nunca ninguém lhe
diz, mas quando está/é magra, ninguém se coíbe de comentar: «Estás tão magra!?»
Como dizia a Wallis Simpson: «Never too rich, never too slim». E quanto às Gordinhas, o melhor é arranjarem um namorado. Ou uma dieta. Ou as duas coisas."
A presença crónica data de 2010 e é escrita por Margarida Rebelo Pinto, publicada no semanário Sol e anda agora a passear nas redes sociais. Nunca tive nada contra a dita senhora e continuo sem ter, embora os seus livros, que confesso ter tentado ler, não me digam absolutamente nada...mas caramba há que ter juízo! Gosto do género literário porque se faz representar mas os livros dela são-me indiferentes. Contudo, há uns dias deparei-me com este brilhante excerto com que a senhora achou por presentear o país.
Ora eu fiquei a pensar para com os meus botões que até sempre me dei bem com rapazes, muito melhor com rapazes do que com raparigas e sim, sou gordinha com 10kg a mais do que o que devia, é facto...mas nem sempre o fui e lá está, sempre me dei melhor com rapazes! Os rapazes são simples, práticos, pouco se importam com esquemas, intrigas e bla bla bla tão comuns ao sexo feminino, vivem a vida e são felizes por isso. Sempre me dei com grupos mistos e, nesses grupos existiram sempre rapazes e raparigas de toda a forma e feitio e não era com base nas formas de cada um que as chamadas pessoas tinham mais liberdade para se expressar! Este texto parece-me a mim um bocado de dor de cotovelo de um possível feitio elitista e de uma personalidade "anti-camaradagem masculina", é que só pode! É daquelas alturas da vida em que as pessoas deviam pensar duas vezes antes de abrir a boca e permanecerem caladas para não se encontrarem no ridículo.
Como disse Tiago Mesquita no Expresso um destes dias: "Eu acrescento, cara Margarida, como tão bem diria Walter Gropius:"o cérebro humano é como um chapéu de chuva: funciona melhor quando aberto." E dão muito jeito, uma coisa e a outra. Ter ambas é o ideal: um guarda-chuva e um cérebro."
Não poderia estar mais de acordo, just saying ...
ja tinha visto isto e notei q ela conseguiu transmitir uma personalidade perfeitamente egocêntrica e vazia de conteudo.. os livros são light, mto light, mas tb alguém q pensa assim não pode dizer grande coisa...
ResponderEliminaré que não faz o mínimo de sentido! e a malta ainda lhe compra livros, epa..modéstia à parte eu tb podia ser escritora -.-'
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